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domingo, 16 de outubro de 2011

Louras Zumbis, de Brian James


"Still and transfixed
The electric sheep are dreaming of your face
Enjoy you from the chemical
Comfort of America


Come one, come all
Into nineteen eighty-four
Yeah, three, two, one...
Lights! Camera! Transaction!"

Talk Shows On Mute - Incubus


Olá!
Eu pensei em começar esse post com "Guess who's back? Back again! Resenhas are back! Tell a friend!" mas achei que seria meio tosco. O fato de eu mencionar isso mesmo sem realmente fazer provavelmente cria uma situação tão tosca quanto, mas whatever!

O que importa é que resenhas realmente are back, e com "Louras Zumbis", de Brian James.
Vou contar que achar esse livro no meu quarto para fazer a resenha não foi uma tarefa tão fácil, por causa do acontecimento que eu chamo de "O Dia em que Os Livros se Rebelaram e Tentaram Assassinar a Televisão".
Que foi quando a minha prateleira despencou e fez mais de 90 livros caírem sobre minha tv.


Minha reação no momento do ocorrido


Talvez esse fato tenha tido aguma influência no meu retorno ao blog. Como um sinal divino que dizia "esses livros querem ser lidos e resenhados e eles querem isso AGORA!".
Ou que eu deva arrumar um marceneiro melhor. Ou não colocar mais de 90 livros em cima de uma única prateleira. De qualquer forma, lição aprendida, crianças!

Nenhum livro saiu severamente ferido (ou seja, ninguém se rasgou), e a televisão também sobreviveu, mas os pobres coitados tiveram que se refugiar entre as gavetas, os armários e a outra prateleira, que, afinal, era onde "Louras Zumbis" estava, um lugar ingrato, por ser muito alto e acumular a maior parte da poeira do quarto. Oh well. Achei que deveria dividir essa anedota vai que os livros se irritam de novo...

Onde estávamos? Ah, sim. O livro conta a história de Hannah Sanders, uma adolescente que já começa a narrativa "p" da vida por ter que se mudar para uma nova cidade, o que é óbvio, porque eu nunca li um livro que começasse com um jovem feliz por estar se mudando para uma nova cidade. É um clichê que faz sentido, você tem que se despedir dos amigos, da vida com a qual estava acostumado... natural estar "p" da vida.

Mas a nossa Hannah aqui tem motivos a mais, já que essa não é a primeira vez que faz isso. Seu pai, apesar de parecer um cara muito gente boa, tem o péssimo hábito de sair com ela às pressas da cidade em que estão e ir para outra, quando surge algum problema, tipo falta de dinheiro para pagar o aluguel. Hannah e o pai estão livin' la vida loca.

É assim que eles chegam a Maplecrest, aparentemente, uma típica cidade pequena e monótona, exceto pelo grande número de casas com placas de "vende-se". Não que isso incomode muito Hannah, já que ela não acredita que vá ficar lá por muito tempo.
Na escola, Hannah, a entendida, nos explica sobre a "elite social", os garotos e as garotas mais populares, que são as mais bonitas e magras, com as melhores e mais curtas roupas e toda essa coisa que ela aprendeu por ter se mudado tanto e que nós aprendemos vendo filmes de high school.

É estranho como a Hannah parece analisá-las friamente, ou seja, ela sabe que as gurias são idiotas e superficiais, mas, mesmo assim, ela quer ser uma delas. Ela diz que na realidade quer só se encaixar, fazer amigos e tal, mas Hannah, véio, você precisa mesmo fazer parte do grupinho perfeito pra isso??

Hannah, inclusive, conhece um garoto estranho e bem bacana interessado na amizade dela, Lukas, que a avisa sobre os perigos de se aproximar das garotas populares, coisa que ele aprendeu ao longo dos anos de observação em Maplecrest e lendo gibis de terror. Hannah, a tola, o ignora. Nunca. Ignore. Os. Avisos. De. Quem. Lê. Gibis. De. Terror.

As meninas perfeitas em questão são formadas por Maggie, a líder, Miranda, Meredith e Morgan. Todas, é claro, loiras, animadoras de torcida, com olhos azuis e esses nomes começados com a letra M (afinal, essa é mesmo uma letra muito bonita para se começar um nome hahaha).

O início da história é muito bom, algumas cenas mostram o quão FDP essas garotas são (principalmente o teste de Hannah para a equipe de animadoras de torcida) e aí podemos falar de bullying, supervalorização da aparência e essas coisas que dão bons argumentos contra os detratores de YA (sabe, você pode falar "ei, YA não é infantil, eu li um que fazia refletir sobre isso e isso...").

Mas da metade pro final as coisas ficam mais monótonas e enroladas. Como Needy contou para Chip em "Garota Infernal", as loiras são "Actually evil. Not just high school evil". Sim, elas são zumbis. Apesar das evidências apresentadas por Lukas, das descobertas feitas por ela mesma e da capa do livro em que está, Hannah se recusa a acreditar.

Ela pode não ser brasileira, mas não desiste nunca, ela quer ser parte dessa droga desse grupo e é só uma das meninas ser um pouquinho mais simpática com ela que a guria vai parar nas nuvens. Então, toda essa parte do livro é praticamente a Hannah pensando "será que elas...? Nããão, que besteira" ou "Mas, espera aí, isso quer dizer que elas... nããão, como sou boba!". Hannah... foi mal, mas Hannah é muito burra. Muito mesmo. Por mais que seja difícil de acreditar em zumbis, você tem que aceitar que tem alguma coisa muito errada acontecendo e se afastar disso. Oh, Hannah, você não o fez. E eu tenho vontade de te dar porrada.

FOR REAL, HANNAH!



Pois bem, felizmente, no final as coisas melhoram. As últimas 30 páginas têm bastante tensão, ação e terror. Achei que o autor foi corajoso em certos momentos e a sequência final toda me lembrou de porque, no geral, os livros adolescentes de hoje em dia são bem melhores do que os filmes adolescentes.

Resumindo, não é uma história para quem espera zumbis sanguinários o tempo todo, pelo contrário, deve agradar mais a quem não é louco por terror mas gosta de um pouco de suspense. Tem ares de "Goosebumps", e eu gosto muito de "Goosebumps" (admito, eu leio até hoje xD), e tem o Lukas, e algumas das melhores cenas acontecem por causa dele, e o início é legal, o final é legal (apesar do finalzinho ter me deixado com uma sensação de "hum... e é só isso mesmo?"), então, ao todo, eu gostei do livro, mesmo com seus defeitos.

E, vamos admitir, no mínimo vale a pena conferir uma história que mostra as meninas que se vestem do mesmo jeito, agem do mesmo jeito, não tem opinião própria e só se preocupam com a aparência como zumbis. Quase um "As Esposas de Stepford" adolescente? Assunto para discussão...

Ah, e eu pensei em colocar "Stupid Girls", da Pink, como a música do início do post, mas "Talk Shows On Mute" ficou na minha cabeça enquanto eu lia. Deve ser porque o livro tem uma atmosfera deveras sombria... então, tá aí. Isso também é digno de nota.

Bem, já chega!
Resenha de retorno feita, livros acalmados, é hora de ir.

See ya o/

terça-feira, 5 de julho de 2011

Garota Infernal, de Diablo Cody



"She's a maneater
Make you work hard, make you spend hard, make you want all of her love
She's a maneater
Make you buy cars make you cut cards
Wish you never ever met her at all"

Maneater - Nelly Furtado


Olá! Então, essa semana que passou foi meio "zumbi", fui para a escola de manhã, passei as tardes dormindo e as noites tendo insônia fake. No fim das contas, não fiz nada de útil. Desgraça.
Mas espero melhorar essa situação com mais uma resenha! Mesmo que seja de um livro que eu li no meio do ano passado e que a população meio que já esqueceu (e não é mesmo dos mais memoráveis). Bem, eu pretendo fazer resenha da maioria dos livros que leio e estes, normalmente, não são lançamentos. E às vezes surge um livro com cara de filme B meia-boca cuja "onda" já passou e, mesmo assim, eu insisto em resenhá-lo, só porque... bem, resenhar é divertido. :D

Eis que chegamos a "Garota Infernal"! O livro é uma novelização feita por Audrey Nixon do roteiro de Diablo Cody, a moça que ganhou o Oscar pelo roteiro de "Juno". Então, é um livro baseado em um filme. Quando o trailer do filme surgiu eu achei tããão legal e fiquei toda "oh, céus, preciso ver esse filme!". Mas, o tempo passou, e eu nada de ver o filme. Aí, veio o livro, e eu fiquei toda "oh, céus, preciso ler esse livro!". Além da curiosidade meio trash de ter um livro com a Megan Fox na capa. Sabe, se um dia eu tiver uma biblioteca pessoal gigante dos sonhos, vou poder dizer "ei, sabia que aí tem um livro com a Megan Fox na capa?". E a pessoa vai dizer "f*da-se" "uau, que curioso...".

Eu nunca tinha lido um "livro baseado em um filme" antes e não sei como são os outros, mas com "Garota Infernal" eu tive uma sensação meio que de perda de tempo. Porque, depois, vendo o filme, percebi que ler o livro não me acrescentou praticamente nada. É o filme... sem as imagens. Ok, não sei como colocar isso sem parecer idiota e sem ouvir a vozinha na minha cabeça que diz "dãã, claro, é uma adaptação do roteiro! O que mais você queria??". Não sei bem o que mais eu queria. Acho que talvez uma linguagem um pouquinho mais rebuscada, uma descrição mais bem feita das situações, alguma coisa que realmente justificasse a criação de um livro (além de fazer mais dinheiro, é claro). Eu não me incomodo com linguagem simples, até gosto às vezes, mas em "Garota Infernal" o negócio é extrapolado. Não tem nenhuma (saco, vou ter que usar uma expressão muito idiota) "riqueza literária".

Pois bem, essa foi minha análise do trabalho da Audrey Nixon. Agora, vamos ao da Diablo Cody: a história!
O livro (e o filme... bem, quase tudo que eu falar sobre o livro também serve para o filme) começa com Needy, nossa protagonista, vivendo em um manicômio depois que algo muito, muito ruim aconteceu. Só nesse prólogo, ela (que é a narradora) já nos conta coisas bem importantes e revela a morte de alguns dos personagens principais. Depois de ter um de seus "surtos" de agressividade e dar porrada na nutricionista, Needy vai parar na solitária e de lá ela conta tudo o que aconteceu.

Needy e Jennifer sempre foram melhores amigas, desde criancinhas, com colares de coraçõezinhos escrito "BFF" e tudo, o que era meio surpreendente, pois Needy fazia o estilo nerd e na dela e Jennifer... bem, a Jennifer era a Megan Fox animadora de torcida, super popular e pegava o garoto que quisesse.
Um belo dia, Jennifer chama Neddy para ir com ela ao show do Low Shoulder, uma banda indie pouca conhecida com um vocalista gostoso que despertou o interesse de Jennifer. Apesar de resistir um pouco e de preferir ficar em casa com seu namorado, Chip, Needy acaba cedendo, como fazia com todos os pedidos de Jennifer.

E lá vão elas para Melody Lane, um bar ferrado de sua cidadezinha, ver o show. Antes da apresentação, as duas conversam um pouco com o vocalista, Nikolai, e Jennifer dá suas investidas. Quando a garota se afasta para pegar umas bebidas, Needy acaba escutando uma conversa entre Nikolai e o baixista sobre como Jennifer era uma "princesa metida de cidade pequena, dessas que provocam, mas nunca abrem as pernas". Chocada com o absurdo da conclusão (virgem, Jennifer?? WTF?) e com a babaquice dos rapazes, Needy resolve dar logo um fora neles e mente para "defender a honra" da amiga, afirmando que ela é mesmo virgem.

O show começa, eles tocam a música "Through The Trees", a plateia fica "hipnotizada" pelo som e um incêndio começa. É, do nada, começa um incêndio. Esse incêndio é uma coisa estranha e que pouco faz sentido na história, por motivos que não vou explicar para não dar spoiler. Mas, enfim, tem esse incêndio e o caos se instaura. Talvez essa seja uma das únicas partes do livro com "terror de verdade", com as descrições das pessoas desesperadas tentando sair, caindo e sendo pisoteadas, o som dos ossos quebrando e o cheiro da carne queimando. Brr...




Então, Needy arrasta Jennifer, ainda "em transe", e as duas conseguem escapar. Do lado de fora, Nikolai chama as meninas para o furgão da banda, onde é "seguro". Needy recusa imediatamente, mas Jennifer, doidona, insiste em ir. *Frase de efeito mode: on* As coisas nunca mais seriam as mesmas depois disso... *frase de efeito mode: off*

Ok, fiquei assustada com o tamanho que essa resenha de um livro de 188 páginas está tomando, então, vou tentar ser o mais breve possível.
Mais tarde, aquela noite, Jennifer aparece na casa de Needy, totalmente estranha e coberta de sangue, ela vomita uma gosma preta super nojenta no chão da cozinha da amiga e some na noite (eu disse que tinha cara de filme B meia-boca...).
No dia seguinte, Jennifer aparece na escola, linda e radiante, como se nada tivesse acontecido, para o horror de Needy.
O tempo passa e, enquanto a cidade tenta se recuperar do incêndio trágico que matou um monte de gente, assasinatos misteriosos ahaaam começam a acontecer.

A história, basicamente, é essa. Acho que falar mais já é dar spoiler. Eu gostei da Needy, ela não é cheia de atitude, mas também não é nenhuma otária (na verdade, deve ser a pessoa mais esperta da cidade inteira, por ser a única que saca o que está acontecendo). O Chip, namorado dela, também é fofo. E a Jennifer... olha, ela se encaixa na história, com a proposta e tudo. Isso não é uma resenha do filme, mas tenho que comentar que a atuação da Megan caiu como uma luva, quando a Jennifer aparece no livro, é ela quem você vê.

Mas acho que eu acabei não gostando muito da proposta em si. Veja uma história como "Carrie, A Estranha", por exemplo (ainda pretendo fazer resenha desse livro). A Carrie poderia ser um amor de pessoa, mas acaba tendo que virar um monstro, por conta das condições. Já a Jennifer sempre foi uma vadia superficial com síndrome de Baby Dinossauro.
E agora ela também come gente. Bah... não tem simpatia pelo drama que ela passa ou coisa assim, é só mais "alguém mate essa vadia logo!". Meio sem graça.


Oi, eu sou a Jen. Tem que me amaaar!!!

Também não gostei muito como a história nega fogo e não se decide. Sabe, é uma história sobre assassinatos, mas não morre muita gente (a não ser no incêndio, é claro). E a gente já sabe que a Jennifer é a assassina, então não tem mistério. E, tirando o finalzinho, também não tem suspense.
O único "segredo" é o que diabos aconteceu depois que ela entrou no furgão da banda, mas isso também não é grande coisa, nem é tão surpreendente.

Como última reclamação, tenho que falar dos diálogos. Sério, foi essa mesma mulher que escreveu o roteiro de "Juno"?? Ela resolveu fumar um baseado antes de escrever "Garota Infernal"?? A Diablo, que parecia entender tão bem o universo adolescente, resolver começar com um monte de forçação de barra e tentativas de aumentar o humor. As conversas entre o Chip e a Needy são até boas e normais, mas as "tiradas" da Jennifer são quase todas um saco e os comentários dos coadjuvantes estudantes da escola não têm nada a ver com nada.

Mas, no geral, dá pra se divertir com "Garota Infernal", tanto livro quanto filme. É só não levar muito a sério e, com certeza, não esperar um terror muito pesado. A "cachoeira que não dá em lugar nenhum" é bem legal (e existe mesmo!), a Needy é uma boa protagonista, diferente das que a gente vê normalmente (que costumam ser "a fodona" ou "a otária"... Needy é mais normal) e a parte final é bem interessante e triste. Sério, com essa a Diablo me surpreendeu pela coragem.

Na comparação livro x filme, fico com o filme. Empolga mais, tem mais gore e a trilha sonora é muito boa. Mas acho que o livro não é totalmente descartável, e é legal para vermos as coisas totalmente pelo ponto de vista da Needy e sabermos o que ela pensa. Se me acrescentou alguma coisa, foi isso. E se você gostar muito, muito do filme, acho que vale a pena.

Ainda não desisti dos livros baseados em roteiros, e queria muito comprar "A Garota da Capa Vermelha", cujo filme eu ainda não vi. De qualquer forma, vai ser legal ter um livro com a Amanda Seyfried na capa, para deixar ao lado de "Garota Infernal" e ver se ela e a Megan retomam a amizade. xD

Fiquem com o trailer do filme:



See ya o/

sábado, 4 de junho de 2011

A Terra das Sombras, de Meg Cabot


"I'm being haunted by whisper
A chill comes over me
I've been trapped inside this moment
I'm not a victim, I'm not a freak"
Somebody Help Me - Full Blown Rose

Olá! Eu sei, eu sei, esta semana não teve resenha e, infelizmente, não vai ter Top 5. As coisas por aqui andam caóticas e eu estou à beira de lose my freaking mind. O motivo: primeira prova do vestibular no dia 12. Sim, no Dia dos Namorados, o que não me incomoda (#encalhadafeelings), mas pode ser bem cruel para alguns. Esse pessoal é impiedoso :P
Enfim, isso quer dizer que semana que vem o blog vai ficar deveras abandonado (na verdade, o abandono meio que já começou...), mas é por uma boa causa, e depois vou entrar numa ressaca de estudo feliz e curadora de olheiras, com filmes, livros, seriados, músicas, biscoitos e posts mais frequentes.
Ainda vou explicar as coisas melhor em um lindo post tapa-buraco.

Mas o fato é que ainda tem resenha para postar, e é a do primeiro livro (de seis) da série "A Mediadora", da Meg Cabot, que ela escreve sob o pseudônimo de Jenny Carroll.
A música do trecho no início era a música tema do seriado "Tru Calling", que era legal, e foi cancelado em pouco tempo. Apesar da Tru, protagonista do seriado, ter um "dom" um pouco diferente do da Suzannah, protagonista do livro (a Tru trabalhava num necrotério e recebia pedidos de ajuda dos cadáveres, quando isso acontecia, o dia recomeçava e ela tinha que salvar a tal pessoa), achei que a música tinha a ver com a história.

O livro "A Terra das Sombras" foi a primeira, e até agora única, coisa que eu já li da Meg Cabot (apesar de ter gostado bastante do filme "O Diário da Princesa" quando era pequena), e, se o resto da série e os outros da Meg forem tão legais quanto, acho que posso me juntar ao coro e dizer que a mulher é diva. Além de parecer uma pessoa muito simpática.

A imagem que abre o post é a capa da antiga edição nacional, que eu acho mais fofa do que a nova, e é a que eu tenho. Mas aconteceu-me a tragédia de ter comprado o livro com a capa antiga e depois só encontrar o resto da série todo com a nova. Resultado: a coleção parece um monstro de Frankenstein na prateleira.

Infortúnios à parte, vamos à resenha. A história começa quando Suzannah Simon, uma nova-iorquina de 16 anos, se vê obrigada a se mudar para Carmel, na Califórnia, depois que sua mãe arruma um novo marido, que ainda vem com três filhos, os quais Suzannah "carinhosamente" apelida de Mestre, Dunga e Soneca.

A família vai morar em uma linda casa na colina (isso tá parecendo sinopse de filme de terror...), grande e com vista para o mar. Tudo muito bem, obrigada, a não ser, é claro, por um detalhe: é uma casa velha. É uma casa muito velha. E Suzannah não gosta nem um pouco de construções antigas.
Isso é porque ela é uma mediadora, ou seja, ela vê gente morta com que frequência? O tempo todo, segredo que esconde de todos os seus conhecidos, exceto seu pai. Afinal, ele também é um fantasma. Quanto mais antiga a construção, mais gente passou por lá, e, provavelmente, morreu por lá, ou tem assuntos inacabados relacionados ao lugar. A missão de Suzannah como mediadora é ajudar os fantasmas na passagem para o além, seja resolvendo esse assuntos quando possível, seja chutando seus traseiros até as portas do outro mundo quando não vão de boa vontade.

Chegando na casa, não dá outra: mal Suzannah põe os pés em seu novo quarto e ela dá de cara com Jesse, o fantasma de um rapaz de origem latina... que, por caso, é totalmente hotilicious.
Depois do choque inicial, muito mais da parte de Jesse, eles começam uma discussão, já que Suzannah quer mais que ele dê o fora, enquanto Jesse não está nada a fim de abandonar o lugar onde esteve "vivendo" por mais de um século.
Como ele não parece representar nenhum perigo aos vivos e não fica no quarto o tempo todo, Suzannah meio que deixa essa situação por isso mesmo. Além do mais, os problemas de verdade começam quando ela chega ao colégio.

A primeira surpresa é que, em um lugar jurássico como o Colégio da Missão, não tem nenhuma alma centenária rondando os corredores. Acontece que o diretor, padre Dominic, também é um mediador (ooooh!!), e já "limpou" a área. Primeiro eu pensei que o padre Dom seria aquele tipo de personagem mala, mas, depois, saquei que ele faz o tipo Dumbledore, só que sem toda a moral. É um senhor bem simpático.

No entanto, o colégio tem, sim, um fantasma assombrando-o: Heather, uma garota que se matou após ser abandonada pelo namorado popular, Bryce.
Heather é mimada, chata e teimosa, quer o garoto de volta de qualquer jeito e não está nem um pouco interessada em ir para o além. Mas, em sua raiva e frustração, não tem receio algum em mandar outros para lá...

Essa, basicamente, é a trama. Eu gostei muito do livro, em primeiro lugar, porque adorei a Suzannah. Ela é durona e feminina ao mesmo tempo (eeh, viva os personagens multi-dimensionais! \o/), sarcástica e gente fina (quando não está lidando com fantasmas, é claro).
Também me identifiquei com ela, tanto em alguns aspectos da personalidade, quanto nessa coisa de ter que deixar sua adorável cidade cinzenta para morar em uma nova e ensolarada (Nova York e Carmel no caso da Suze, SP e Rio no meu).
E achei a coisa mais linda quando ela e o Dunga jogaram Cool Boarders! Cool Boarders é um videogame de snow board que eu achava que só eu conhecia, e é muito legal, porque você não tem que completar missões ou salvar o mundo, é só surfar na neve e esquecer da vida! Desculpem, mas é um dos jogos da minha infância e não acreditei quando vi o nome no livro, tinha que fazer esse comentário. :D


Cool Boarders is soooo cool *-*


Os outros personagens também são ótimos. O padrasto, Andy, e a mãe dela são muito legais e os "novos irmãos" são bem engraçados. Soneca (A.K.A. Jake), o mais velho, ganhou o apelido por sua lerdeza, sempre com sono por causa da carga de trabalho + colégio, mas, no fundo, tem bom coração, ao que parece. Dunga (A.K.A. Brad) é o do meio e é totalmente idiota (resumo justo, trust me) e Mestre (A.K.A. David) é o mais novo e inteligente, sempre quer impressionar a Suze e é uma graça.
 Adorei os amigos que ela faz na escola, Adam e Cee Cee. Ri litros com alguns comentários deles, achei muito legal que eles parecem adolescentes de verdade, consegui me imaginar com meus amigos tendo conversas parecidas com as que eles têm no livro.
E tem o Jesse. Ah, o Jesse... ele é divertido, inteligente e hot e não tem problema nenhum em brigar com a Suzannah de vez em quando. Os dois formam uma dupla ótima, parece que ficariam muito fofos como casal, mas é legal vê-los como "parceiros no crime".

É muito bom ver um YA sobrenatural sem mimimi pra variar (não que eu não goste de romance, esse livro tem romance, o que eu não gosto é quando o açúcar se apodera da história como uma bolha comedora de gente) e estou ansiosa para ler as continuações, que vão ganhar resenhas ilustradas com as capas novas (é, meu blog vai ficar Frankenstein que nem minha prateleira! u.u).

Bem, é isso. Não é um livro com ação ininterrupta (na verdade, o bicho pega mesmo na metade), mas também não tem enrolação, é uma leitura ágil e gostosa, em que tudo tem motivo para acontecer.
E, para fechar essa confusão das capas, fiquem com a MEDONHA capa britânica (aliás, no Reino Unido os livros da série tem títulos diferentes dos do resto do mundo) para olhar pelo bright side of life e ver que a situação sempre poderia ser pior...



What the f...??

See ya o/




quinta-feira, 26 de maio de 2011

Opúsculo - a paródia, de The Harvard Lampoon


"She wants to touch me, whoa oh
She wants to love me, whoa oh
She'll never leave me, whoa oh whoa oh oh oh"
Don't Trust Me - 3OH!3


Hello! Depois de um tempinho afastada da blogosfera por causa da equação vestibular+gripe+preguiça from hell, eis que estou de volta com mais uma resenha. E também para pedir desculpas pelo Top 5 não ter saído sexta passada, mas amanhã ele estará aqui, meigo e gracioso, e espero não atrasar mais com essa bagaça.

Para começar a falar de "Opúsculo - a paródia", primeiro tenho que resumir brevemente minha relação com "Crepúsculo". Bem, the thing is: acho que é ruim, mas não a maior porcaria do mundo. Li o primeiro para conhecer, o segundo para tentar ir até o fim da saga (esse troço de "saga Crepúsculo" sempre me faz rir litros xD) , mas ainda não consegui encarar o terceiro e o quarto. Talvez eu os leia, um dia. Para desencargo de consciência.

Mas eu acho mesmo impressionante como uma história tão trash acabou fazendo um sucesso tão grande. Ou se, há alguns anos, você ouvisse a frase "a trama é sobre uma menina songa-monga que se apaixona por um vampiro que brilha no sol", você não acharia que se parece mais com um roteiro de filme B escrito por um maconheiro do que com um fênomeno mundial? Eu acharia. Na verdade, ainda acho.

Talvez eu não deteste "Crepúsculo" porque o li em uma época em que eu não tinha muita coisa com o que comparar. É triste, mas, aos 14 anos, minhas leituras se resumiam a Goosebumps e três (só TRÊS!) livros do Harry Potter. Então, o simples fato de que eu estava lendo alguma outra coisa, já era bom o suficiente. Por isso, mesmo cheio de defeitos (protagonista insuportável, personagens mal construídos, falta de história, vampiros cintilantes e outras coisas estranhas), "Crepúsculo", para mim, ficou parecendo mingau. Mingau não é a pior comida do mundo, mas praticamente não tem gosto. Sabe? Você come quando não tem nada melhor para comer, não ama, não odeia, é só... mingau.

*Momento já-que-estou-aqui-vou-viajar-um-pouco*: acho que "Crepúsculo" seria mais legal se a Stephenie não tivesse inventado de chamar suas criaturas de "vampiros", porque de vampiros eles só tem... bem, na verdade, nada. Tá, eles bebem sangue. De animais. Eu como carne de animais, mas não acho que isso faça de mim uma vampira. Ficaria melhor se Edward e cia. fossem... "elfos alternativos". Eu acho que fica muito mais fácil de imaginar um elfo alternativo que brilha no sol, bebe sangue de Bambi e vive numa casa de vidro no meio da floresta do que um vampiro fazendo essas coisas... mas aí, provavelmente, não faria tanto sucesso, além de reclamarem que ela destruíu a mitologia dos elfos, então, deixa pra lá...

Encerrando essa parte de "Crepúsculo e eu - a história não contada", antes que eu comece a divagar sobre lobisomens marombeiros, vamos logo ao que interessa.
Com o sucesso da saga (aah, é legal demais!) mundo afora, logicamente, surgiram elas: as amadas e odiadas paródias.

A que ganhou mais visibilidade, provavelmente, foi aquele filme "Os Vampiros que se Mordam", que eu ainda não assisti, mas, depois de conferir o trabalho da dupla de torturadores cruéis diretores e roteiristas, Jason Friedberg e Aaron Seltzer, em "Super-Heróis - A Liga da Injustiça" (só de escrever o nome desse bagulho, lembro da dor da perda daqueles 87 minutos que JAMAIS recuperarei...), estou mais para "não, obrigada". Mas, talvez, um dia, eu acabe vendo. Ora, nunca diga nunca, não é mesmo? Não é mesmo...?



Provavelmente, a única situação em que eu veria "Os Vampiros que se Mordam"

No campo da literatura, o destaque ficou por conta de "Opúsculo - a paródia", uma brincadeira de 142 páginas que começa bem legal, mas, da metade em diante, vai perdendo o fio da meada. E perdendo feio.

A, hã, história: uma garota chamada Belle Goose muda-se da ensolarada Phoenix para a fria e nublada cidadezinha de Switchblade, para morar com seu pai. Na escola, ela conhece o isolado  e não tão misterioso Edwart Mullen, um rapaz nerd que, depois de alguns acontecimentos, leva-a a crer que é um vampiro - apesar de não ter nada, absolutamente NADA que faça uma pessoa normal chegar a uma conclusão dessas sobre o moleque.

Belle Goose é o retrato perfeito do que seria Bella Swan sem as tentativas (quaqua, fail) da Stephenie Meyer de torná-la uma personagem simpática. Chata pra caramba, um pouco menos monga e arrogante até o talo, Belle acredita que a preocupação maior de Switchblade inteira é saber mais sobre ela. Algumas das melhores partes do livro são as em que a moça, à partir de algum comentário totalmente aleatório de um menino, fantasia que ele está apaixonado por ela. Acho que isso é muito mais realista do que os garotos todos realmente babando por um ser com toda a sensualidade e carisma da Bella...

*Trecho retirado da página 16*:

"Quando o sinal tocou, o rapaz ao meu lado previsivelmente voltou-se para mim e começou a falar.
- Com licença - ele disse, esperando que eu me apaixonasse por ele ou algo assim. - Sua mochila está no meu caminho.
Eu sabia. Ele era totalmente o tipo 'sua mochila está no meu caminho'."

O Edwart, bem, ele não tem muito a ver com o Edward, mas como um garoto esquisito e nerd que acaba entrando no jogo de uma garota maluca que acha que ele é um vampiro, para que ela continue interessada por ele, ele é até um tanto fofo. Só um tanto. De certo modo.

Todas as cenas em que zoam de forma inteligente algum dos absurdos de "Crepúsculo" são bem divertidas, e chegam até a brincar com os vícios de escrita forçados e exagerados da Stephenie.
Mas, infelizmente, o livro também tem defeitos e não são poucos. O maior deles é o excesso de nonsense. Enquanto algumas piadas se encaixam na trama, outras surgem do nada, sem o menor motivo de existir, não são engraçadas, nem divertidas, só bizarras, como quando a Belle faz uma raspadinha gigante (!!), ou as mudanças na descrição física do Edwart. 

O mais estranho acontece perto do final, quando parece que os caras esquecem que estão parodiando "Crepúsculo" e começam praticamente a contar uma história independente. Sei lá se alguém faz questão de não saber como isso termina, mas, como eu faria (hihi, realmente detesto spoilers), não vou revelar nada demais aqui, e só dizer que a zona generalizada começa mais ou menos à partir da cena do cemitério.

Outro problema grave é que, se você não tiver lido "Crepúsculo", provavelmente não vai achar graça nenhuma. Não basta ter visto o filme ou saber o básico da história: a maioria das piadas é sobre coisas bem específicas, detalhes que só são marcantes para quem leu. Isso é um master fora bem comum hoje em dia. Mas, você vê, o Tarantino, por exemplo, enche os filmes dele de referências, e, se você entendê-las, ótimo, mas, se não entender, não prejudica em nada a diversão! 

Bem, no fim das contas, "Opúsculo - a paródia" é um livro... legalzinho. Inho, inho.
Acho que tem gosto de sopa que, diferente do mingau, tem um pouco de sal, mas também não é grande coisa.
Algumas piadas boas não compensam por várias piadas idiotas e, zoação de "Crepúsculo" por zoação de "Crepúsculo", ainda tem muito vídeo amador no youtube que faz melhor.

That's all, folks.
See ya o/

 




sexta-feira, 6 de maio de 2011

Orgulho e Preconceito e Zumbis, de Jane Austen e Seth Grahame-Smith

 
"Turn the tables with our unity
They're neither moral nor majority
Wake up and smell the coffee
Or just say no to individuality

When we pretend that we're dead
When we pretend that we're dead
They can't hear a word we've said
When we pretend that we're dead"
Pretend We're Dead - L7

Hello! A resenha de hoje é do adorável "Orgulho e Preconceito e Zumbis", mas, antes da análise propriamente dita, uma pequena justificativa sobre a escolha da música do trecho acima (é mais ou menos relevante, sério!).
Para quem não sabe, L7 era uma banda de rock só de mulheres que esteve em seu auge no início dos anos 90, quando, entre outras coisas bonitas, saíram em turnê com o Nirvana e criaram uma fundação chamada "Rock for Choice", que defendia os direitos e liberdades civis da mulher (agradeço à dona Wikipedia pela última informação). Ou seja: elas eram bem girl power. E sabe quem também era bem girl power? Jane Austen, ora!

Ok, vou admitir logo: eu nunca li nenhum livro da Jane (pelo menos, nenhum sem a presença de criaturas comedoras de cérebros...) e isso é uma das minhas "vergonhas literárias" - tenho uma quantidade tristemente razoável delas - que pretendo curar em breve. Mas li resenhas e comentários suficientes sobre o trabalho dela para entender que a moça gostava de usar ironia sutil para apontar as, perdoem-me a falta de delicadeza, babaquices da sociedade de sua época. Até em "Orgulho e Preconceito e Zumbis" isso é notável. Assim como também é notável que ela criou uma protagonista que tem opinião própria e fala o que pensa, numa época em que mulheres deviam apenas ser bonitas, prendadas e agradáveis, muitas vezes, até mesmo, praticamente, hã... se fingir de mortas.

Há! ufa, já tava demorando pra finalizar a maldita relação... Enfim, se fingir de morto, zumbis, girl power... achei que "Pretend We're Dead" tinha tudo a ver com "Orgulho e Preconceito e Zumbis". Na verdade, acho que se a Jane fizesse parte de uma banda grunge dos anos 90, ela faria uma música assim, mas como andam inventando histórias demais com ela ultimamente, é melhor não dar ideia...

Agora sim, vamos à análise. Não é que eu esteja dizendo que a presença dos zumbis seja "ooh, uma metáfora para os problemas sociais da época", nem nada. Por favor, why so serious?? Mas uma coisa eu digo: os zumbis se encaixam na história.

Quando ouvi falar no livro pela primeira vez, achei que seria uh-te-re-rê-zoação-tá-tudo-liberado!, com zumbis. E isso já pareceu bom o suficiente para dar uma chance. Ah, meus queridos zumbis *-*

Só que acontece que não é bem assim. Na verdade, não é nada "uh-te-re-rê". O livro foi feito de um jeito que parece que os zumbis sempre existiram na história, a presença deles faz sentido e você chega a acreditar que Elizabeth Bennet nasceu para ser uma chutadora de traseiros de não-mencionáveis. Esse cuidado para que tudo ficasse bem encaixado e para que a história de "Orgulho e Preconceito" fosse contada não só apesar dos zumbis, mas usando-os à seu favor, demonstrou habilidade e respeito à obra original. E ficou muito mais legal do que uma simples zoação insana!

You go, Lizzy! Kick some ass!


Porém, não deixa de ser, sim, uma sátira, e mesmo que tenha "Orgulho e Preconceito", também tem sangue, cérebros devorados, membros decepados, ninjas (sim, NINJAS! Como se zumbis não fossem bons o bastante, também tem NINJAS!), lutas e outras novidades que podem ser bem indigestas para muitos fãs da história original.
Nesse aspecto, o livro é mesmo um tanto problemático, porque o inverso também pode acontecer! Quer dizer, se a criatura for atrás do livro só pelo gore e pelas bizarrices, pode quebrar a cara ao se deparar com uma boa quantidade de cenas "comuns" e diálogos extensos. Com certeza NÃO é um livro recomendável para qualquer um, mas isso não quer dizer que não tenha muita gente que goste. Eu, particularmente, achei divertidíssimo: uma boa história clássica, um romance lindo, Elizabeth, Sr. Darcy, zumbis sanguinários... só coisas que eu amo! :D

Ok, um breve resumo da trama. É praticamente a mesma de "Orgulho e Preconceito", exceto pelo fato de que, algumas décadas antes de quando a história começa, uma estranha praga, que faz os mortos voltarem à vida como seres violentos famintos por cérebros, apareceu na Inglaterra e, desde então, nunca mais foi embora, tornando os zumbis parte do cotidiano. Isso, por si só, eu achei interessante, porque histórias de zumbis costumam mostrar o caos do surgimento das criaturas, o chamado "dia Z", e ainda são poucas as que mostram pessoas lidando com zumbis uma vez que eles já são parte do dia-a-dia.

Enfim, é nesse cenário que se encontra a família Bennet, composta pelo pai, o divertido Sr. Bennet, a mãe, a neurótica maluca, insuportável Sra. Bennet e as cinco filhas: Jane, Elizabeth, Mary, Kitty e a também insuportável  Lydia, todas muito bem treinadas no combate contra os não-mencionáveis (é, é assim que costumam chamar os zumbis).
Eu adorei essa coisa das garotas terem sido treinadas na China e da Elizabeth ser uma guerreira até meio Beatrix Kiddo, de Kill Bill, honrando sempre os ensinamentos de seu mestre - que, pelas descrições dos treinamentos, se parece demais com Pai Mei.

A Sra. Bennet continua sendo obcecada por ver suas flhas casadas e, diante de algo tão sério e preocupante quanto os ataques de zumbis, isso se torna ainda mais irritante. Numa sacada bem esperta, explica-se que seu nervosismo começou na juventude, desde o primeiro surto da praga, e que ela só conseguia obter consolo se apegando a tradições que agora pareciam supérfluas para outros.
E, para a animação total da Sra. Bennet, chegam na história o rico e bonito Sr. Bingley e sua comitiva para ocupar Netherfield Park (ganha um doce quem adivinhar o triste fim dos ex-moradores da propriedade...), comitiva esta que inclui o ainda mais rico e bonito Sr. Darcy. Sr. Darcy é um mito. Ele faz mulheres suspirarem desde o século XIX. Sua trajetória de aparentemente arrogante, para misterioso e complexo e, por fim, chegando a ser simplesmente adorável, faz dele um personagem rico e interessante. E, para mim, que sou chegada em homens com o dom de exterminar zumbis, ele ficou ainda mais hotilicious *-*

A relação de Elizabeth com Darcy é uma delícia de se acompanhar, porque se separados os dois já são personagens ótimos, juntos eles travam os melhores diálogos e trocas de farpas, além de, depois, momentos fofos/constrangedores. Pois é, não é mais só o embate entre duas pessoas teimosas, uma preconceituosa e a outra orgulhosa; as duas também são exterminadoras de zumbis!


aww *-*


Após a chegada da comitiva Bingley em Netherfield Park (perceba que minha narração da trama já está totalmente caótica...), ele não demora a dar um baile, e nesse baile as coisas não dão muito certo, tanto entre Elizabeth e Darcy quanto para os convidados desafortunados que estavam perto demais das janelas, e por aí a história segue, indo pelo caminho do original e incrementando com as "liberdades poéticas".

Bem, como eu já disse, foi uma leitura bem divertida, e além de ter bastante ação e alguns momentos hilários (a Charlotte zumbi é épica!), também aumentou meu vocabulário com as expressões rebuscadas comuns em romances antigos - e isso é uma coisa rara de se dizer de um livro.
Não é preciso ler o livro original antes para curtir esse - eu não li. Mas, para ser sincera, fiquei feliz de ter visto o filme de 2005, só para ter uma ideia do que esperar e ter com o que comparar.

Falando em filme, a versão cinematográfica de "Orgulho e Preconceito e Zumbis" está em desenvolvimento e tem previsão de lançamento para 2013. Aparentemente, a Elizabeth será interpretada pela Natalie Portman (yay, Natalie! *-*), o que eu acho uma boa, já que ela tem essa beleza de filme de época e se parece um pouco com a Keira Knightley .

Outros mash-ups de Jane Austen surgiram, Seth Grahame-Smith escreveu "Abraham Lincoln - Caçador de Vampiros" e "Orgulho e Preconceito e Zumbis" ganhou uma prequel, "Pride and Prejudice and Zombies: Dawn of the Dreadfuls" e uma sequência, "Pride and Prejudice and Zombies: Dreadfully Ever After", ambas escritas por Steven Hockensmith. E tudo isso está na minha wish list (apesar de desconfiar de que a prequel e a sequência de "Orgulho e Preconceito e Zumbis" devem ser um tanto trash...).

Finalizando, não é um livro para todos os gostos, nem para todos os estômagos, mas se você achar que é o tipo de coisa que te agrada, dificilmente vai se decepcionar. Agora estou com vontade de ler o livro original, além dos outros da Jane Austen, afinal, se Elizabeth Bennet é uma heroína badass que mata zumbis, é porque, primeiro, Jane fez dela uma heroína badass.

E fiquem com um souvenir para as fãs do Sr. Darcy, principalmente minha querida prima, Amanda, que leu o original e me deixou olhar de vez em quando para comparar enquanto eu lia "Orgulho e Preconceito e Zumbis", e que ama essa cena...



See ya o/

domingo, 24 de abril de 2011

Contos de Terror do Tio Montague, de Chris Priestley



"Hush little baby, don't say a word
And never mind that noise you heard
It's just the beasts under your bed
In your closet, in your head"
Enter Sandman - Metallica

Olá! Estou de volta, agora para um momento de muita emoção (ou não): a primeira resenha do blog!
Acho que é bom explicar desde já que em todas as resenhas de livros, eu colocarei no início um trecho da letra de uma música que esse livro me lembrou, ou que eu ache que tem a ver com a história de alguma forma, como um tipo de "trilha sonora literária". É uma coisa que eu gosto de fazer e pensei "aaaaaah... por que não?". Nerdy habits die hard...

O escolhido como objeto de análise da primeira resenha (uh, que chique, "objeto de análise") foi "Contos de Terror do Tio Montague", do escritor britânico Chris Priestley. Li esse livro no verão de 2009 e até hoje considero-o uma das maiores surpresas que já tive nessa vida de bookaholic.

Eu estava na livraria, justamente procurando por um livro que poderia ser meu companheiro durante a clássica temporada na casa de praia que acontece todo verão, onde a melhor coisa que se pode encontrar na tv é o comercial do Superpapo (sabe aquele que conta uma historinha e que assim que acaba começa de novo, ficando desse jeito por umas 3 horas? Pois é...). Fuçando pela seção juvenil, acabei encontrando esse livro, do qual eu nunca tinha ouvido falar (e que, se não tivesse pesquisado depois, continuaria sem ouvir falar!). Era um pouco menor do que os outros livros em altura e era relativamente fino (253 páginas), mas a descrição na orelha me pareceu interessante e eu AMO livros de contos - várias histórias pelo preço de uma! -  então, resolvi apostar e levei esse mesmo. Afinal, provavelmente era o tipo de terror juvenil Goosebumps, que acho bem divertido.

Mas eu estava errada. Ah, e como estava errada.

"Contos de Terror do Tio Montague" é muito, mas MUITO melhor do que qualquer "terror juvenil Goosebumps" que eu já li. Aliás, apesar de ter crianças como protagonistas, acho que o livro dificilmente pode ser considerado de "terror juvenil", já que as histórias muitas vezes são sombrias, crueis e com finais nada otimistas. Não pense naqueles finais abertos a lá Goosebumps: Chris Priestley não tem muita preocupação em poupar seus protagonistas.
Sabe aquele aviso que Lemony Snicket coloca nos livros da série "Desventuras em Série", que diz, mais ou menos: "se você detesta histórias com finais infelizes e em que crianças sofrem, melhor procurar outro livro"? Combina perfeitamente com "Contos de Terror do Tio Montague"!

Mas vamos logo à história. São 10 contos interligados por um fio condutor: a visita do menino Edgar (homenagem a Allan Poe??) à casa de seu tio Montague (que não é bem seu tio, e sim provavelmente seu tio-avô, apesar de seus pais não terem certeza de qual é o real parentesco).
Logo no início, na caminhada do moleque até a sinistra casa do tio, atravessando um bosque escuro, com o chão coberto de folhas mortas e acompanhado pelos olhares das crianças da vila, já sentimos o clima sombrio que lembra o horror gótico e permeia o livro.
Quando Edgar finalmente chega à casa, tio Montague, uma figura peculiar, não demora a contar suas histórias, já que a necessidade do sobrinho de ouvi-las e a do tio de contá-las era o que motivava as reuniões dos dois, como Edgar explica, quase como se fossem "reuniões de negócios".

O primeiro conto, "Não Suba", narra a história de Joseph, um garoto que tem no jardim de sua casa um imenso olmo antigo. O garoto começa a desenvolver uma obsessão por escalar a árvore, ignorando as palavras "Não Suba" talhadas no tronco e os avisos do velho jardineiro (jamais ignore os avisos de um velho numa história de terror!). Obviamente, as coisas não vão terminar bem. Não é um conto dos mais marcantes, mas tem o mérito de ser o primeiro a mostrar o tom que as histórias terão a partir daí (em outras palavras, foi o conto que me fez pensar "Cacete! Não estamos mais na terra de Goosebumps!").

Depois, o livro segue com "A Des-Porta". Uma garota e uma mulher mais velha, que se passam por mãe e filha, vivem de aplicar golpes em velhas senhoras e realizar pequenos furtos em suas casas. O que era para ser só mais um trambique, no entanto, acaba tomando proporções assustadoras quando visitam a casa da Sra. Barnard. Também não é dos melhores e tem uma "surpresa" meio previsível, mas me agradou por ser bem "Além da Imaginação" e ter a presença de bonecas, que considero criaturas muito sinistras...

O terceiro conto é "O Demônio de Madeira". Conta a história de Thomas, que rouba uma escultura de madeira em forma de demônio do carrinho de um mendigo, sem saber que o objeto tem vida própria e traz uma maldição ao seu proprietário. O melhor conto até agora, com algumas passagens perturbadoras e um demônio bem FDP, que lembra o criado por Stephen King no conto "O Homem de Terno Preto".

"Oferendas" é um dos contos mais perturbadores do livro, se não for o mais. A família de Robert acabou de se mudar para sua casa nova. O garoto, entediado e sem amigos, acaba conhecendo um misterioso menino que aparece sentado no muro do jardim dos fundos de sua casa, com um sorriso incrivelmente largo. Mas isso pode estar relacionado a uma lenda bizarra envolvendo um antigo morador. Conto estranho e macabro que vai além do convencional e prende completamente a atenção até o final.

"Poda de Inverno" é um dos meus favoritos. No vilarejo onde Simon mora, todos conhecem a Velha Mãe Tallow, uma esquisita velhinha cega que passa os dias podando as macieiras de seu jardim. Devido à sua fama de bruxa, nenhuma criança ousa invadir seu território. Porém, ao ouvir falar que a velha tem uma boa quantia em dinheiro guardada em casa, Simon resolve tentar roubá-la sem que ela perceba. Só que é claro que não vai ser tão fácil. Uma história que realmente me surpreendeu e a Velha Mãe Tallow garantiu seu lugar no hall das velhinhas bizarras da ficção.

"A Moldura Dourada" é a clássica história do "cuidado com o que deseja". A mãe de Christina traz para casa um quadro com o retrato de uma menina, ladeado por uma moldura dourada. Ao ficar a sós com o quadro, Christina descobre que a menina no retrato fala, e lhe oferece três desejos. Tem um final que eu não esperava ver nesse tipo de livro, e, assim como "Oferendas", mostra que as crianças nem sempre são inocentes.

O conto seguinte é "Jinn". Entediado enquanto acompanha seu pai numa viagem pela Turquia, Francis fica curioso ao saber sobre um menino que foi morto, aparentemente, por uma espécie de animal selvagem. Sem acreditar nessa versão, ele tenta descobrir por si próprio o que aconteceu. Conto interessante por apresentar uma criatura maligna diferente das que estamos acostumados, além de, talvez, ser o conto mais triste do livro.

"Uma História de Fantasma", acho que é o conto mais fraco do livro. Tendo que aturar uma festa de casamento de parentes, Victoria resolve pregar uma peça em suas primas esnobes. Enquanto as meninas se reunem em um quarto para ouvir a história de terror supostamente verdadeira que uma delas tem a contar, Victoria fica escondida em um baú ao lado de uma menina que acabou de conhecer, as duas prontas para saltar de lá quando a história chegar a seu ápice, assustando todas as outras. É, no fim, só mais uma história de fantasma com final previsível, mas não deixa de ser um conto competente.

"A Trilha", com certeza, está na lista dos melhores. Matthew decide fugir do pequeno vale onde cresceu e explorar o mundo, como fez seu avô. No caminho, enquanto sobe por uma trilha na montanha, percebe que tem uma figura misteriosa o seguindo. Um conto simples, mas tenso e com um final de cair o queixo.

O conto que encerra o livro se chama "Tio Montague". Nos intervalos entre uma história e outra, Edgar começa a achar seu tio mais estranho do que de costume, chegando até a duvidar de sua saúde mental, enquanto ele apresenta objetos que diz terem feito parte de cada história. Neste final, tio Montague conta sua própria história, fechando as pontas soltas e trazendo uma revelação que pode ser surpreendente.

Bem, acho que já é hora de finalizar esta resenha.
Só posso recomendar a todos que apreciam histórias de terror, ou que curtem livros de contos, ou que simplesmente querem dar uma chance a um livro injustamente pouco conhecido, que procurem "Contos de Terror do Tio Montague". É um livro pequeno e fino, com algumas ilustrações que parecem saídas de uma animação do Tim Burton (feitas por David Roberts) ou seja, muita gente vai conseguir ler de uma tacada só.
É isso.
See ya o/





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