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terça-feira, 5 de julho de 2011

Garota Infernal, de Diablo Cody



"She's a maneater
Make you work hard, make you spend hard, make you want all of her love
She's a maneater
Make you buy cars make you cut cards
Wish you never ever met her at all"

Maneater - Nelly Furtado


Olá! Então, essa semana que passou foi meio "zumbi", fui para a escola de manhã, passei as tardes dormindo e as noites tendo insônia fake. No fim das contas, não fiz nada de útil. Desgraça.
Mas espero melhorar essa situação com mais uma resenha! Mesmo que seja de um livro que eu li no meio do ano passado e que a população meio que já esqueceu (e não é mesmo dos mais memoráveis). Bem, eu pretendo fazer resenha da maioria dos livros que leio e estes, normalmente, não são lançamentos. E às vezes surge um livro com cara de filme B meia-boca cuja "onda" já passou e, mesmo assim, eu insisto em resenhá-lo, só porque... bem, resenhar é divertido. :D

Eis que chegamos a "Garota Infernal"! O livro é uma novelização feita por Audrey Nixon do roteiro de Diablo Cody, a moça que ganhou o Oscar pelo roteiro de "Juno". Então, é um livro baseado em um filme. Quando o trailer do filme surgiu eu achei tããão legal e fiquei toda "oh, céus, preciso ver esse filme!". Mas, o tempo passou, e eu nada de ver o filme. Aí, veio o livro, e eu fiquei toda "oh, céus, preciso ler esse livro!". Além da curiosidade meio trash de ter um livro com a Megan Fox na capa. Sabe, se um dia eu tiver uma biblioteca pessoal gigante dos sonhos, vou poder dizer "ei, sabia que aí tem um livro com a Megan Fox na capa?". E a pessoa vai dizer "f*da-se" "uau, que curioso...".

Eu nunca tinha lido um "livro baseado em um filme" antes e não sei como são os outros, mas com "Garota Infernal" eu tive uma sensação meio que de perda de tempo. Porque, depois, vendo o filme, percebi que ler o livro não me acrescentou praticamente nada. É o filme... sem as imagens. Ok, não sei como colocar isso sem parecer idiota e sem ouvir a vozinha na minha cabeça que diz "dãã, claro, é uma adaptação do roteiro! O que mais você queria??". Não sei bem o que mais eu queria. Acho que talvez uma linguagem um pouquinho mais rebuscada, uma descrição mais bem feita das situações, alguma coisa que realmente justificasse a criação de um livro (além de fazer mais dinheiro, é claro). Eu não me incomodo com linguagem simples, até gosto às vezes, mas em "Garota Infernal" o negócio é extrapolado. Não tem nenhuma (saco, vou ter que usar uma expressão muito idiota) "riqueza literária".

Pois bem, essa foi minha análise do trabalho da Audrey Nixon. Agora, vamos ao da Diablo Cody: a história!
O livro (e o filme... bem, quase tudo que eu falar sobre o livro também serve para o filme) começa com Needy, nossa protagonista, vivendo em um manicômio depois que algo muito, muito ruim aconteceu. Só nesse prólogo, ela (que é a narradora) já nos conta coisas bem importantes e revela a morte de alguns dos personagens principais. Depois de ter um de seus "surtos" de agressividade e dar porrada na nutricionista, Needy vai parar na solitária e de lá ela conta tudo o que aconteceu.

Needy e Jennifer sempre foram melhores amigas, desde criancinhas, com colares de coraçõezinhos escrito "BFF" e tudo, o que era meio surpreendente, pois Needy fazia o estilo nerd e na dela e Jennifer... bem, a Jennifer era a Megan Fox animadora de torcida, super popular e pegava o garoto que quisesse.
Um belo dia, Jennifer chama Neddy para ir com ela ao show do Low Shoulder, uma banda indie pouca conhecida com um vocalista gostoso que despertou o interesse de Jennifer. Apesar de resistir um pouco e de preferir ficar em casa com seu namorado, Chip, Needy acaba cedendo, como fazia com todos os pedidos de Jennifer.

E lá vão elas para Melody Lane, um bar ferrado de sua cidadezinha, ver o show. Antes da apresentação, as duas conversam um pouco com o vocalista, Nikolai, e Jennifer dá suas investidas. Quando a garota se afasta para pegar umas bebidas, Needy acaba escutando uma conversa entre Nikolai e o baixista sobre como Jennifer era uma "princesa metida de cidade pequena, dessas que provocam, mas nunca abrem as pernas". Chocada com o absurdo da conclusão (virgem, Jennifer?? WTF?) e com a babaquice dos rapazes, Needy resolve dar logo um fora neles e mente para "defender a honra" da amiga, afirmando que ela é mesmo virgem.

O show começa, eles tocam a música "Through The Trees", a plateia fica "hipnotizada" pelo som e um incêndio começa. É, do nada, começa um incêndio. Esse incêndio é uma coisa estranha e que pouco faz sentido na história, por motivos que não vou explicar para não dar spoiler. Mas, enfim, tem esse incêndio e o caos se instaura. Talvez essa seja uma das únicas partes do livro com "terror de verdade", com as descrições das pessoas desesperadas tentando sair, caindo e sendo pisoteadas, o som dos ossos quebrando e o cheiro da carne queimando. Brr...




Então, Needy arrasta Jennifer, ainda "em transe", e as duas conseguem escapar. Do lado de fora, Nikolai chama as meninas para o furgão da banda, onde é "seguro". Needy recusa imediatamente, mas Jennifer, doidona, insiste em ir. *Frase de efeito mode: on* As coisas nunca mais seriam as mesmas depois disso... *frase de efeito mode: off*

Ok, fiquei assustada com o tamanho que essa resenha de um livro de 188 páginas está tomando, então, vou tentar ser o mais breve possível.
Mais tarde, aquela noite, Jennifer aparece na casa de Needy, totalmente estranha e coberta de sangue, ela vomita uma gosma preta super nojenta no chão da cozinha da amiga e some na noite (eu disse que tinha cara de filme B meia-boca...).
No dia seguinte, Jennifer aparece na escola, linda e radiante, como se nada tivesse acontecido, para o horror de Needy.
O tempo passa e, enquanto a cidade tenta se recuperar do incêndio trágico que matou um monte de gente, assasinatos misteriosos ahaaam começam a acontecer.

A história, basicamente, é essa. Acho que falar mais já é dar spoiler. Eu gostei da Needy, ela não é cheia de atitude, mas também não é nenhuma otária (na verdade, deve ser a pessoa mais esperta da cidade inteira, por ser a única que saca o que está acontecendo). O Chip, namorado dela, também é fofo. E a Jennifer... olha, ela se encaixa na história, com a proposta e tudo. Isso não é uma resenha do filme, mas tenho que comentar que a atuação da Megan caiu como uma luva, quando a Jennifer aparece no livro, é ela quem você vê.

Mas acho que eu acabei não gostando muito da proposta em si. Veja uma história como "Carrie, A Estranha", por exemplo (ainda pretendo fazer resenha desse livro). A Carrie poderia ser um amor de pessoa, mas acaba tendo que virar um monstro, por conta das condições. Já a Jennifer sempre foi uma vadia superficial com síndrome de Baby Dinossauro.
E agora ela também come gente. Bah... não tem simpatia pelo drama que ela passa ou coisa assim, é só mais "alguém mate essa vadia logo!". Meio sem graça.


Oi, eu sou a Jen. Tem que me amaaar!!!

Também não gostei muito como a história nega fogo e não se decide. Sabe, é uma história sobre assassinatos, mas não morre muita gente (a não ser no incêndio, é claro). E a gente já sabe que a Jennifer é a assassina, então não tem mistério. E, tirando o finalzinho, também não tem suspense.
O único "segredo" é o que diabos aconteceu depois que ela entrou no furgão da banda, mas isso também não é grande coisa, nem é tão surpreendente.

Como última reclamação, tenho que falar dos diálogos. Sério, foi essa mesma mulher que escreveu o roteiro de "Juno"?? Ela resolveu fumar um baseado antes de escrever "Garota Infernal"?? A Diablo, que parecia entender tão bem o universo adolescente, resolver começar com um monte de forçação de barra e tentativas de aumentar o humor. As conversas entre o Chip e a Needy são até boas e normais, mas as "tiradas" da Jennifer são quase todas um saco e os comentários dos coadjuvantes estudantes da escola não têm nada a ver com nada.

Mas, no geral, dá pra se divertir com "Garota Infernal", tanto livro quanto filme. É só não levar muito a sério e, com certeza, não esperar um terror muito pesado. A "cachoeira que não dá em lugar nenhum" é bem legal (e existe mesmo!), a Needy é uma boa protagonista, diferente das que a gente vê normalmente (que costumam ser "a fodona" ou "a otária"... Needy é mais normal) e a parte final é bem interessante e triste. Sério, com essa a Diablo me surpreendeu pela coragem.

Na comparação livro x filme, fico com o filme. Empolga mais, tem mais gore e a trilha sonora é muito boa. Mas acho que o livro não é totalmente descartável, e é legal para vermos as coisas totalmente pelo ponto de vista da Needy e sabermos o que ela pensa. Se me acrescentou alguma coisa, foi isso. E se você gostar muito, muito do filme, acho que vale a pena.

Ainda não desisti dos livros baseados em roteiros, e queria muito comprar "A Garota da Capa Vermelha", cujo filme eu ainda não vi. De qualquer forma, vai ser legal ter um livro com a Amanda Seyfried na capa, para deixar ao lado de "Garota Infernal" e ver se ela e a Megan retomam a amizade. xD

Fiquem com o trailer do filme:



See ya o/

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Orgulho e Preconceito e Zumbis, de Jane Austen e Seth Grahame-Smith

 
"Turn the tables with our unity
They're neither moral nor majority
Wake up and smell the coffee
Or just say no to individuality

When we pretend that we're dead
When we pretend that we're dead
They can't hear a word we've said
When we pretend that we're dead"
Pretend We're Dead - L7

Hello! A resenha de hoje é do adorável "Orgulho e Preconceito e Zumbis", mas, antes da análise propriamente dita, uma pequena justificativa sobre a escolha da música do trecho acima (é mais ou menos relevante, sério!).
Para quem não sabe, L7 era uma banda de rock só de mulheres que esteve em seu auge no início dos anos 90, quando, entre outras coisas bonitas, saíram em turnê com o Nirvana e criaram uma fundação chamada "Rock for Choice", que defendia os direitos e liberdades civis da mulher (agradeço à dona Wikipedia pela última informação). Ou seja: elas eram bem girl power. E sabe quem também era bem girl power? Jane Austen, ora!

Ok, vou admitir logo: eu nunca li nenhum livro da Jane (pelo menos, nenhum sem a presença de criaturas comedoras de cérebros...) e isso é uma das minhas "vergonhas literárias" - tenho uma quantidade tristemente razoável delas - que pretendo curar em breve. Mas li resenhas e comentários suficientes sobre o trabalho dela para entender que a moça gostava de usar ironia sutil para apontar as, perdoem-me a falta de delicadeza, babaquices da sociedade de sua época. Até em "Orgulho e Preconceito e Zumbis" isso é notável. Assim como também é notável que ela criou uma protagonista que tem opinião própria e fala o que pensa, numa época em que mulheres deviam apenas ser bonitas, prendadas e agradáveis, muitas vezes, até mesmo, praticamente, hã... se fingir de mortas.

Há! ufa, já tava demorando pra finalizar a maldita relação... Enfim, se fingir de morto, zumbis, girl power... achei que "Pretend We're Dead" tinha tudo a ver com "Orgulho e Preconceito e Zumbis". Na verdade, acho que se a Jane fizesse parte de uma banda grunge dos anos 90, ela faria uma música assim, mas como andam inventando histórias demais com ela ultimamente, é melhor não dar ideia...

Agora sim, vamos à análise. Não é que eu esteja dizendo que a presença dos zumbis seja "ooh, uma metáfora para os problemas sociais da época", nem nada. Por favor, why so serious?? Mas uma coisa eu digo: os zumbis se encaixam na história.

Quando ouvi falar no livro pela primeira vez, achei que seria uh-te-re-rê-zoação-tá-tudo-liberado!, com zumbis. E isso já pareceu bom o suficiente para dar uma chance. Ah, meus queridos zumbis *-*

Só que acontece que não é bem assim. Na verdade, não é nada "uh-te-re-rê". O livro foi feito de um jeito que parece que os zumbis sempre existiram na história, a presença deles faz sentido e você chega a acreditar que Elizabeth Bennet nasceu para ser uma chutadora de traseiros de não-mencionáveis. Esse cuidado para que tudo ficasse bem encaixado e para que a história de "Orgulho e Preconceito" fosse contada não só apesar dos zumbis, mas usando-os à seu favor, demonstrou habilidade e respeito à obra original. E ficou muito mais legal do que uma simples zoação insana!

You go, Lizzy! Kick some ass!


Porém, não deixa de ser, sim, uma sátira, e mesmo que tenha "Orgulho e Preconceito", também tem sangue, cérebros devorados, membros decepados, ninjas (sim, NINJAS! Como se zumbis não fossem bons o bastante, também tem NINJAS!), lutas e outras novidades que podem ser bem indigestas para muitos fãs da história original.
Nesse aspecto, o livro é mesmo um tanto problemático, porque o inverso também pode acontecer! Quer dizer, se a criatura for atrás do livro só pelo gore e pelas bizarrices, pode quebrar a cara ao se deparar com uma boa quantidade de cenas "comuns" e diálogos extensos. Com certeza NÃO é um livro recomendável para qualquer um, mas isso não quer dizer que não tenha muita gente que goste. Eu, particularmente, achei divertidíssimo: uma boa história clássica, um romance lindo, Elizabeth, Sr. Darcy, zumbis sanguinários... só coisas que eu amo! :D

Ok, um breve resumo da trama. É praticamente a mesma de "Orgulho e Preconceito", exceto pelo fato de que, algumas décadas antes de quando a história começa, uma estranha praga, que faz os mortos voltarem à vida como seres violentos famintos por cérebros, apareceu na Inglaterra e, desde então, nunca mais foi embora, tornando os zumbis parte do cotidiano. Isso, por si só, eu achei interessante, porque histórias de zumbis costumam mostrar o caos do surgimento das criaturas, o chamado "dia Z", e ainda são poucas as que mostram pessoas lidando com zumbis uma vez que eles já são parte do dia-a-dia.

Enfim, é nesse cenário que se encontra a família Bennet, composta pelo pai, o divertido Sr. Bennet, a mãe, a neurótica maluca, insuportável Sra. Bennet e as cinco filhas: Jane, Elizabeth, Mary, Kitty e a também insuportável  Lydia, todas muito bem treinadas no combate contra os não-mencionáveis (é, é assim que costumam chamar os zumbis).
Eu adorei essa coisa das garotas terem sido treinadas na China e da Elizabeth ser uma guerreira até meio Beatrix Kiddo, de Kill Bill, honrando sempre os ensinamentos de seu mestre - que, pelas descrições dos treinamentos, se parece demais com Pai Mei.

A Sra. Bennet continua sendo obcecada por ver suas flhas casadas e, diante de algo tão sério e preocupante quanto os ataques de zumbis, isso se torna ainda mais irritante. Numa sacada bem esperta, explica-se que seu nervosismo começou na juventude, desde o primeiro surto da praga, e que ela só conseguia obter consolo se apegando a tradições que agora pareciam supérfluas para outros.
E, para a animação total da Sra. Bennet, chegam na história o rico e bonito Sr. Bingley e sua comitiva para ocupar Netherfield Park (ganha um doce quem adivinhar o triste fim dos ex-moradores da propriedade...), comitiva esta que inclui o ainda mais rico e bonito Sr. Darcy. Sr. Darcy é um mito. Ele faz mulheres suspirarem desde o século XIX. Sua trajetória de aparentemente arrogante, para misterioso e complexo e, por fim, chegando a ser simplesmente adorável, faz dele um personagem rico e interessante. E, para mim, que sou chegada em homens com o dom de exterminar zumbis, ele ficou ainda mais hotilicious *-*

A relação de Elizabeth com Darcy é uma delícia de se acompanhar, porque se separados os dois já são personagens ótimos, juntos eles travam os melhores diálogos e trocas de farpas, além de, depois, momentos fofos/constrangedores. Pois é, não é mais só o embate entre duas pessoas teimosas, uma preconceituosa e a outra orgulhosa; as duas também são exterminadoras de zumbis!


aww *-*


Após a chegada da comitiva Bingley em Netherfield Park (perceba que minha narração da trama já está totalmente caótica...), ele não demora a dar um baile, e nesse baile as coisas não dão muito certo, tanto entre Elizabeth e Darcy quanto para os convidados desafortunados que estavam perto demais das janelas, e por aí a história segue, indo pelo caminho do original e incrementando com as "liberdades poéticas".

Bem, como eu já disse, foi uma leitura bem divertida, e além de ter bastante ação e alguns momentos hilários (a Charlotte zumbi é épica!), também aumentou meu vocabulário com as expressões rebuscadas comuns em romances antigos - e isso é uma coisa rara de se dizer de um livro.
Não é preciso ler o livro original antes para curtir esse - eu não li. Mas, para ser sincera, fiquei feliz de ter visto o filme de 2005, só para ter uma ideia do que esperar e ter com o que comparar.

Falando em filme, a versão cinematográfica de "Orgulho e Preconceito e Zumbis" está em desenvolvimento e tem previsão de lançamento para 2013. Aparentemente, a Elizabeth será interpretada pela Natalie Portman (yay, Natalie! *-*), o que eu acho uma boa, já que ela tem essa beleza de filme de época e se parece um pouco com a Keira Knightley .

Outros mash-ups de Jane Austen surgiram, Seth Grahame-Smith escreveu "Abraham Lincoln - Caçador de Vampiros" e "Orgulho e Preconceito e Zumbis" ganhou uma prequel, "Pride and Prejudice and Zombies: Dawn of the Dreadfuls" e uma sequência, "Pride and Prejudice and Zombies: Dreadfully Ever After", ambas escritas por Steven Hockensmith. E tudo isso está na minha wish list (apesar de desconfiar de que a prequel e a sequência de "Orgulho e Preconceito e Zumbis" devem ser um tanto trash...).

Finalizando, não é um livro para todos os gostos, nem para todos os estômagos, mas se você achar que é o tipo de coisa que te agrada, dificilmente vai se decepcionar. Agora estou com vontade de ler o livro original, além dos outros da Jane Austen, afinal, se Elizabeth Bennet é uma heroína badass que mata zumbis, é porque, primeiro, Jane fez dela uma heroína badass.

E fiquem com um souvenir para as fãs do Sr. Darcy, principalmente minha querida prima, Amanda, que leu o original e me deixou olhar de vez em quando para comparar enquanto eu lia "Orgulho e Preconceito e Zumbis", e que ama essa cena...



See ya o/

domingo, 24 de abril de 2011

Contos de Terror do Tio Montague, de Chris Priestley



"Hush little baby, don't say a word
And never mind that noise you heard
It's just the beasts under your bed
In your closet, in your head"
Enter Sandman - Metallica

Olá! Estou de volta, agora para um momento de muita emoção (ou não): a primeira resenha do blog!
Acho que é bom explicar desde já que em todas as resenhas de livros, eu colocarei no início um trecho da letra de uma música que esse livro me lembrou, ou que eu ache que tem a ver com a história de alguma forma, como um tipo de "trilha sonora literária". É uma coisa que eu gosto de fazer e pensei "aaaaaah... por que não?". Nerdy habits die hard...

O escolhido como objeto de análise da primeira resenha (uh, que chique, "objeto de análise") foi "Contos de Terror do Tio Montague", do escritor britânico Chris Priestley. Li esse livro no verão de 2009 e até hoje considero-o uma das maiores surpresas que já tive nessa vida de bookaholic.

Eu estava na livraria, justamente procurando por um livro que poderia ser meu companheiro durante a clássica temporada na casa de praia que acontece todo verão, onde a melhor coisa que se pode encontrar na tv é o comercial do Superpapo (sabe aquele que conta uma historinha e que assim que acaba começa de novo, ficando desse jeito por umas 3 horas? Pois é...). Fuçando pela seção juvenil, acabei encontrando esse livro, do qual eu nunca tinha ouvido falar (e que, se não tivesse pesquisado depois, continuaria sem ouvir falar!). Era um pouco menor do que os outros livros em altura e era relativamente fino (253 páginas), mas a descrição na orelha me pareceu interessante e eu AMO livros de contos - várias histórias pelo preço de uma! -  então, resolvi apostar e levei esse mesmo. Afinal, provavelmente era o tipo de terror juvenil Goosebumps, que acho bem divertido.

Mas eu estava errada. Ah, e como estava errada.

"Contos de Terror do Tio Montague" é muito, mas MUITO melhor do que qualquer "terror juvenil Goosebumps" que eu já li. Aliás, apesar de ter crianças como protagonistas, acho que o livro dificilmente pode ser considerado de "terror juvenil", já que as histórias muitas vezes são sombrias, crueis e com finais nada otimistas. Não pense naqueles finais abertos a lá Goosebumps: Chris Priestley não tem muita preocupação em poupar seus protagonistas.
Sabe aquele aviso que Lemony Snicket coloca nos livros da série "Desventuras em Série", que diz, mais ou menos: "se você detesta histórias com finais infelizes e em que crianças sofrem, melhor procurar outro livro"? Combina perfeitamente com "Contos de Terror do Tio Montague"!

Mas vamos logo à história. São 10 contos interligados por um fio condutor: a visita do menino Edgar (homenagem a Allan Poe??) à casa de seu tio Montague (que não é bem seu tio, e sim provavelmente seu tio-avô, apesar de seus pais não terem certeza de qual é o real parentesco).
Logo no início, na caminhada do moleque até a sinistra casa do tio, atravessando um bosque escuro, com o chão coberto de folhas mortas e acompanhado pelos olhares das crianças da vila, já sentimos o clima sombrio que lembra o horror gótico e permeia o livro.
Quando Edgar finalmente chega à casa, tio Montague, uma figura peculiar, não demora a contar suas histórias, já que a necessidade do sobrinho de ouvi-las e a do tio de contá-las era o que motivava as reuniões dos dois, como Edgar explica, quase como se fossem "reuniões de negócios".

O primeiro conto, "Não Suba", narra a história de Joseph, um garoto que tem no jardim de sua casa um imenso olmo antigo. O garoto começa a desenvolver uma obsessão por escalar a árvore, ignorando as palavras "Não Suba" talhadas no tronco e os avisos do velho jardineiro (jamais ignore os avisos de um velho numa história de terror!). Obviamente, as coisas não vão terminar bem. Não é um conto dos mais marcantes, mas tem o mérito de ser o primeiro a mostrar o tom que as histórias terão a partir daí (em outras palavras, foi o conto que me fez pensar "Cacete! Não estamos mais na terra de Goosebumps!").

Depois, o livro segue com "A Des-Porta". Uma garota e uma mulher mais velha, que se passam por mãe e filha, vivem de aplicar golpes em velhas senhoras e realizar pequenos furtos em suas casas. O que era para ser só mais um trambique, no entanto, acaba tomando proporções assustadoras quando visitam a casa da Sra. Barnard. Também não é dos melhores e tem uma "surpresa" meio previsível, mas me agradou por ser bem "Além da Imaginação" e ter a presença de bonecas, que considero criaturas muito sinistras...

O terceiro conto é "O Demônio de Madeira". Conta a história de Thomas, que rouba uma escultura de madeira em forma de demônio do carrinho de um mendigo, sem saber que o objeto tem vida própria e traz uma maldição ao seu proprietário. O melhor conto até agora, com algumas passagens perturbadoras e um demônio bem FDP, que lembra o criado por Stephen King no conto "O Homem de Terno Preto".

"Oferendas" é um dos contos mais perturbadores do livro, se não for o mais. A família de Robert acabou de se mudar para sua casa nova. O garoto, entediado e sem amigos, acaba conhecendo um misterioso menino que aparece sentado no muro do jardim dos fundos de sua casa, com um sorriso incrivelmente largo. Mas isso pode estar relacionado a uma lenda bizarra envolvendo um antigo morador. Conto estranho e macabro que vai além do convencional e prende completamente a atenção até o final.

"Poda de Inverno" é um dos meus favoritos. No vilarejo onde Simon mora, todos conhecem a Velha Mãe Tallow, uma esquisita velhinha cega que passa os dias podando as macieiras de seu jardim. Devido à sua fama de bruxa, nenhuma criança ousa invadir seu território. Porém, ao ouvir falar que a velha tem uma boa quantia em dinheiro guardada em casa, Simon resolve tentar roubá-la sem que ela perceba. Só que é claro que não vai ser tão fácil. Uma história que realmente me surpreendeu e a Velha Mãe Tallow garantiu seu lugar no hall das velhinhas bizarras da ficção.

"A Moldura Dourada" é a clássica história do "cuidado com o que deseja". A mãe de Christina traz para casa um quadro com o retrato de uma menina, ladeado por uma moldura dourada. Ao ficar a sós com o quadro, Christina descobre que a menina no retrato fala, e lhe oferece três desejos. Tem um final que eu não esperava ver nesse tipo de livro, e, assim como "Oferendas", mostra que as crianças nem sempre são inocentes.

O conto seguinte é "Jinn". Entediado enquanto acompanha seu pai numa viagem pela Turquia, Francis fica curioso ao saber sobre um menino que foi morto, aparentemente, por uma espécie de animal selvagem. Sem acreditar nessa versão, ele tenta descobrir por si próprio o que aconteceu. Conto interessante por apresentar uma criatura maligna diferente das que estamos acostumados, além de, talvez, ser o conto mais triste do livro.

"Uma História de Fantasma", acho que é o conto mais fraco do livro. Tendo que aturar uma festa de casamento de parentes, Victoria resolve pregar uma peça em suas primas esnobes. Enquanto as meninas se reunem em um quarto para ouvir a história de terror supostamente verdadeira que uma delas tem a contar, Victoria fica escondida em um baú ao lado de uma menina que acabou de conhecer, as duas prontas para saltar de lá quando a história chegar a seu ápice, assustando todas as outras. É, no fim, só mais uma história de fantasma com final previsível, mas não deixa de ser um conto competente.

"A Trilha", com certeza, está na lista dos melhores. Matthew decide fugir do pequeno vale onde cresceu e explorar o mundo, como fez seu avô. No caminho, enquanto sobe por uma trilha na montanha, percebe que tem uma figura misteriosa o seguindo. Um conto simples, mas tenso e com um final de cair o queixo.

O conto que encerra o livro se chama "Tio Montague". Nos intervalos entre uma história e outra, Edgar começa a achar seu tio mais estranho do que de costume, chegando até a duvidar de sua saúde mental, enquanto ele apresenta objetos que diz terem feito parte de cada história. Neste final, tio Montague conta sua própria história, fechando as pontas soltas e trazendo uma revelação que pode ser surpreendente.

Bem, acho que já é hora de finalizar esta resenha.
Só posso recomendar a todos que apreciam histórias de terror, ou que curtem livros de contos, ou que simplesmente querem dar uma chance a um livro injustamente pouco conhecido, que procurem "Contos de Terror do Tio Montague". É um livro pequeno e fino, com algumas ilustrações que parecem saídas de uma animação do Tim Burton (feitas por David Roberts) ou seja, muita gente vai conseguir ler de uma tacada só.
É isso.
See ya o/





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